03 de Julho de 2022

Ucrânia diz perder guerra para Rússia no leste por falta de munição

A Ucrânia está perdendo a guerra de artilharia contra a Rússia no leste do país e já gastou quase toda sua munição, dependendo exclusivamente do que o Ocidente lhe fornecer para tentar evitar a perda da região do Donbass.

A afirmação foi feita por Vadim Skibitski, o chefe-adjunto da inteligência militar de Kiev, em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, e joga luz sobre a crescente ansiedade do governo ucraniano em relação à realidade militar e política da guerra iniciada por Vladimir Putin em 24 de fevereiro.

"Essa é uma guerra de artilharia agora, e nós estamos perdendo em termos de artilharia. Tudo depende agora do que [os países da Otan, aliança militar ocidental] nos dão. A Ucrânia tem 1 peça de artilharia para cada 10 ou 15 russas [no Donbass]. E nossos parceiros ocidentais já nos deram cerca de 10% do que eles tinham", afirmou.

A descrição combina com o relato dos combates na região de Severodonetsk, a última cidade importante da província de Lugansk que ainda não caiu em mãos russas. No ritmo atual, eles assumirão a ruína do local em breve, faltando então de 30% a 40% da outra área que compõe o Donbass, Donetsk, para ser conquistada como Putin prometeu.

Antes da guerra, segundo o inventário de referência do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (Londres), a Ucrânia tinha 1.818 peças de artilharia, incluindo aí 354 lançadores múltiplos de foguetes, todos de origem soviética.

Segundo o balanço russo, já foram destruídas até quinta (9) 1.843 peças, incluindo 499 lançadores, número superior ao disponível antes do conflito. Mesmo considerando o provável exagero, isso mostra uma situação difícil em campo.

Aí entra o componente político. Os ucranianos têm gritado cada vez mais alto acerca da fadiga identificada no Ocidente com a guerra, visível nas declarações aqui e ali de autoridades ou especialistas sugerindo que está na hora de achar uma acomodação com Putin.

O presidente Volodimir Zelenski vocaliza isso sempre, como fez na quinta, quando dobrou a estimativa de soldados mortos no Donbass para 200 diariamente. É muito, mesmo com a mobilização total da força masculina de 18 a 60 anos do país.

Igor Gielow, Folhapress / Foto: Reuters

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