22 de Maio de 2022

Limites de frente ampla de Lula elevam pressão sobre Alckmin

Aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm a expectativa de que Geraldo Alckmin (PSB), pré-candidato a vice na chapa do petista, seja efetivo em ampliar os limites da aliança depois de oscilar seu tom entre demonstrar lealdade ao PT e acenar para fora da esquerda.

Alckmin vinha sendo alvo de críticas por parte de apoiadores de Lula e entusiastas de uma frente contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Primeiro por não ter agregado, logo em sua chegada, mais partidos ou nomes de peso à aliança.

Em segundo lugar, por ter se empolgado além do esperado na defesa do ex-presidente e no alinhamento a ele em discursos, o que poderia atrapalhar a interlocução com setores conservadores.

Diante disso, a fala do ex-governador de São Paulo no último dia 7, quando a chapa Lula-Alckmin foi lançada em São Paulo, representou uma mudança de rota. A pré-campanha havia recebido apelos por um tom mais sóbrio e de moderação e por acenos para além do espectro da esquerda —mas sem quebrar a confiança da militância do PT.

Aliados de Lula consideraram que Alckmin precisava recuar em relação à postura adotada em aparições anteriores e atenuar afagos à base petista.

O tom inflamado e os gritos pró-Lula ao falar com sindicalistas assim como o hino da Internacional Socialista foram vistos como artificiais e causaram estranhamento entre tucanos que conhecem Alckmin de longa data.

Se antes foi preciso acenar para dentro da esquerda, Alckmin teria voltado a seu padrão no dia 7, segundo aliados. Para eles, salientar diferenças não é uma afronta, mas uma forma de demonstrar complementação.

O conteúdo lido por Alckmin no ato abrangeu indicações discretas sobre temas que não necessariamente estão no âmago do programa do PT ou são endossados pelas siglas de esquerda inseridas na coligação.

Falando em nome da chapa, ele prometeu "estimular o empreendedorismo, os investimentos, a produção e uma relação reciprocamente mais justa e vantajosa entre trabalhadores e empresários", sem lançar mão de temas espinhosos, como revogação da reforma trabalhista.

A entronização perante a militância de Lula incluiu ainda aspectos sutis, como as saudações a movimentos religiosos e à sociedade civil organizada, insinuando uma abertura para o diálogo com setores avessos ao petismo.

A demarcação de diferenças com o petista, algo também pontuado em sua fala, tem dupla função —não implodir sua interlocução com setores conservadores e demonstrar que, em nome da democracia, adversários podem se unir.

No entanto, a tarefa de Alckmin de expandir o arco de apoiadores de Lula não será simples, admitem petistas, levando em consideração que partidos de centro resistem a uma aliança formal já no primeiro turno.

Embora maior do que nas eleições presidenciais de 2018, a coligação do PT reúne sete partidos da centro-esquerda —sem conseguir avançar mais à direita.

O clima entre petistas é de conformismo com a hipótese de que apenas alas ou representantes isolados de outros partidos declarem apoio a Lula, como fez o tucano Aloysio Nunes (SP) na sexta-feira (13) em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Joelmir Tavares, Victoria Azevedoe Carolina Linhares, Folhapress / Foto: Reprodução/ Redes Sociais – @geraldoalckmin

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