03 de Julho de 2022

Dom e Bruno: Inimigo dos indígenas, Pelado se diz arrependido dos assassinatos

No mercado de Benjamin Constant, no extremo oeste do Amazonas, moradores não se arriscam a dar informações sobre Amarildo da Costa Oliveira, de 41 anos, matador confesso do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips. Ao ser preso, “Pelado”, como é conhecido, se descreveu como um “homem simples” e “arrependido” pelo duplo homicídio que impactou o mundo. Não há registros policiais envolvendo o nome dele no último um ano e meio, período disponível para consulta. As Polícias Civil e Federal e os indígenas, contudo, têm informações de inteligência de que ele está longe de ser um pescador pacato do Vale do Javari. Pelado é suspeito de integrar uma extensa rede criminosa que vai além do comércio de pirarucus e outras espécies raras de peixes. Seu esquema tem ligações diretas com o tráfico de armas e de drogas.

O Estadão esteve no local onde Pelado vendia peixe pescado ilegalmente. “Isso aqui é a fronteira (com o Peru). Se você falar uma coisa que não sabe, no outro dia você está com a boca cheia de formiga”, disse um comerciante sobre o silêncio. O destino trágico de Pereira, que treinava índios a filmar a ação de criminosos na floresta, e Phillips, que registrava para um livro a ação do colega, justifica o temor.

A atuação de Pelado gira em torno de um homem apelidado de Colômbia, um peruano casado com uma brasileira e com dupla cidadania. Dono de propriedades em Benjamin Constant, Colômbia opera o esquema de venda de peixes que abastece não apenas comércios, hotéis, restaurantes e cafés do Alto Solimões, mas também de cidades mais distantes como Tefé e Manaus. A polícia trabalha com a suspeita de que ele seria um intermediário de cartéis de narcotraficantes e comprador de recursos explorados por pescadores no território indígena do Vale do Javari. Colômbia reapareceu nas apurações sobre as mortes de Pereira e Phillips, mas a polícia ainda o procura, assim como seu verdadeiro nome.

Ao longo dos rios da fronteira, Colômbia tem seus prepostos. Investigadores e ribeirinhos ouvidos pelo Estadão afirmam que Pelado seria um braço dele nas comunidades da beira do Rio Itaquaí. Em especial, em São Rafael, São Gabriel e São Ladário, que ficam a cerca de uma hora e meia do cais de Atalaia do Norte e são conhecidas pela forte influência de traficantes de drogas.


Estadão Cnteúdo / Foto: Wilton Junior/Estadão

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