18 de Agosto de 2022

Odebrecht mandava mulheres para festas com políticos, revela advogado

O advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Durán, 44 anos, se transformou em um dos homens mais temidos pelos presidentes e altos funcionários da América Latina. Até 2016, Tacla trabalhou como advogado do Departamento de Operações Estruturadas da empresa, a hermética unidade de negócios especializada em comprar vontades.
 
O advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Durán, 44 anos, se transformou em um dos homens mais temidos pelos presidentes e altos funcionários da América Latina. Até 2016, Tacla trabalhou como advogado do Departamento de Operações Estruturadas da empresa, a hermética unidade de negócios especializada em comprar vontades. 
 
Em entrevista ao El País, ele detalhou que tudo, campanhas eleitorais, presentes, festas, prostitutas, valia para afagar os políticos. Como contrapartida, presidentes e chefes de Estado correspondiam com contratos de obras públicas, principal fonte de receita da maior construtora da América Latina. Um colosso com 168.000 empregados e tentáculos em 28 países.
 
“A construtora arranjava tudo pagando. Distribuía comissões ao funcionário mais baixo da Administração e ao chefe de Estado. O primeiro contato era estabelecido na campanha eleitoral. A Odebrecht arcava com os gastos do marketing político dos candidatos. Tinha um acordo com o publicitário João Santana [responsável pelas bem-sucedidas campanhas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff]. A construtora sugeria depois as obras que seriam incluídas nos planos do Governo, disse ao site.
 
Ele também revelou detalhes sobre pagamentos de subornos em espécie. “Em 2014 a Odebrecht tentou dar um avião ao ex-presidente Panamá, Ricardo Martinelli. O político recusou. A empreiteira queria agradar Martinelli e o candidato do seu partido (o governista Mudança Democrática), que disputava as eleições gerais de 2014, José Domingo Arias, o Mimito. A Odebrecht também organizava festas. E mandava mulheres do Brasil para festas com políticos no Panamá e na República Dominicana. Era a maneira de a empreiteira manifestar sua gratidão. Mas isso também se tornou uma chantagem”, detalha.
 
O advogado de nacionalidade hispano-brasileira que foi preso em novembro por ordem do juiz Sérgio Moro, de Curitiba, magistrado-estrela da Operação Lava Jato. Depois de passar 72 dias na prisão de Soto del Real –acusado de suborno e lavagem de dinheiro–, encontra-se em liberdade provisória. Tacla será julgado na Espanha depois que um tribunal superior do país rejeitou o pedido de extradição feito para que voltasse a seu país natal, Brasil. O advogado conseguiu nacionalidade espanhola em 1994, porque seu pai e avô eram galegos.
 
Ele conta também que fotos eram nessas festas. “E eram guardadas. O executivo da Odebrecht no Panamá, André Rabello, sabia como usar essas fotos. Rabello também lidava com informações sobre as esposas e as relações extraconjugais dos políticos panamenhos. A empreiteira dava presentes às esposas destes. Participei de uma reunião na qual Rabello disse que tinha a confirmação do presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, de que o país não iria responder às solicitações da Justiça do Brasil [sobre o caso Odebrecht]”, disse.
 
Segundo Tacla, a Odebrecht sabia que as esposas e as amantes dos políticos recebiam subornos. “A empreiteira resolvia a vida financeira das esposas dos políticos. Especialmente a das ex-mulheres”.
 
Na oportunidade, ele contou que a empreiteira pagou muito mais do que R$ 1,12 bilhões de em subornos para obter contratos de obras no valor de R$ 1,6 bilhões durante as presidências de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. “O montante foi muito maior. A empresa gastava 481 milhões de reais por ano em propina. O pagamento era feito em espécie ou por meio de transferências. Até o porteiro recebia. Os subornos respingaram em todos os partidos. De direita, de esquerda... Do Governo, da oposição... E não há somente políticos entre os beneficiários... A empresa apostava. Por exemplo, na disputa entre Lula e Dilma, a Odebrecht preferiu Lula”.
 
De acordo com Tacla, a empresa gastava cerca de R$ 960 milhões em propina. “Era movimentado em dinheiro por meio de contas em paraísos fiscais e transferências internacionais. A construtora, por segurança, nunca pagava nos países de origem do beneficiário. E usava o Meinl Bank para enviar fundos a Pessoas Politicamente Expostas (PEP). Assim se fez chegar dinheiro a Michelle Lasso, uma pessoa próxima ao presidente do Panamá, Juan Carlos Varela”.
 
 
Fonte: Bocão News
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