14 de Novembro de 2018

Delator diz que pagou propina a Eunício, Geddel e ex-ministros

O ex-superintendente regional da Galvão Engenharia Jorge Henrique Marques Valença afirmou, em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que pagou ao menos R$ 1 milhão em “propina” ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, o senador Fernando Bezerra, o ex-deputado Henrique Alves e o ex-ministro Geddel Vieira Lima em troca da liberação de recursos em obras contra a seca. A informação é de O Globo.

 

O ex-superintendente regional da Galvão Engenharia Jorge Henrique Marques Valença afirmou, em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que pagou ao menos R$ 1 milhão em “propina” ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, o senador Fernando Bezerra, o ex-deputado Henrique Alves e o ex-ministro Geddel Vieira Lima em troca da liberação de recursos em obras contra a seca. A informação é de O Globo.

Valença relatou que existia um pedágio de “7% a 8%”, a ser pago a políticos do MDB, nos contratos do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), órgão federal sob influência política de Eunício. Ainda de acordo com a delação, a Galvão Engenharia considerou o valor muito alto e acertou um percentual de 5%, que era repassado à medida que a empreiteira recebia os pagamentos por seus serviços.

O pagamento delatado por Valença foi referente à obra da Barragem Figueiredo, construída pela Galvão no interior do Ceará para o abastecimento de água de municípios afetados pela seca. A barragem foi concluída em 2013.

Jorge Valença não diz se chegou a estar pessoalmente com os políticos do MDB e pontuou que negociava com operadores que diziam falar em nome deles. Mas, o delator anexou recibos de doações, que qualifica como "pagamentos de propina", para o diretório nacional do PMDB.

Ainda de acordo com o relato, o pagamento para Eunício mudou a partir de 2011, quando afirma ter sido procurado por um ex-assessor do senador, César Pinheiro, e foi informado de que os repasses deveriam passar a ser feitos por meio de doações oficiais.

O delator apresenta comprovantes de doações ao PMDB feitas entre 2012 e 2014. Os repasses por meio de doações oficiais totalizaram R$ 1 milhão. Valença citou ter pago, em espécie, ao menos R$ 50 mil destinados ao senador emedebista.

Ainda de acordo com O Globo, o delator Jorge Valença afirmou que quando o senador Fernando Bezerra assumiu o Ministério da Integração Nacional passou a ser o destinatário do percentual de propina. Valença relatou que foi procurado por um assessor de Bezerra, Iran Padilha, e passou a cuidar pessoalmente do assunto. Os repasses a Henrique Alves e Geddel, segundo o delator, eram operacionalizados por Ennio Ellery, todos em dinheiro vivo, mas Valença não forneceu detalhes.

Procurado pela publicação, Eunício negou as acusações por meio de nota. “Muitas delações carecem de provas que as sustentem e várias estão sendo anuladas pela Justiça. O senador não conhece os delatores. As doações de empresas ao PMDB, feitas na forma da lei e quando isso tinha abrigo em nosso sistema político-partidário, estão todas declaradas ao TSE e aprovadas pela Justiça Eleitoral”, diz a nota.

O advogado de Fernando Bezerra, André Callegari, afirmou que “a defesa não teve acesso ao inquérito, mas pode afirmar que o senador segue tranquilo e confiante na Justiça, pois todos esses inquéritos instaurados com base apenas na palavra do colaborador são meras ilações e serão arquivados, como já tem decidido reiteradamente o STF”.

O advogado de Henrique Alves disse que o cliente nega ter recebido qualquer vantagem indevida referente às obras do Dnocs. A defesa de Geddel Vieira Lima, o empresário Ennio Ellery não responderam até a publicação desta matéria.

A defesa de Iran Padilha afirmou que a acusação “não é verdadeira” e negou que ele tenha praticado “qualquer ato ilícito”.

 

 

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