15 de Novembro de 2018

'Bolsa Diesel' não supre déficit de credibilidade do governo Temer

Não se sabe ainda se a nova onda de concessões aos caminhoneiros terá sucesso em debelar a greve que paralisa o país há uma semana. Mas uma coisa é certa: a conta já sobrou para nós, que pagamos impostos. O governo Michel Temer acaba de criar o Bolsa Diesel.

 

Não se sabe ainda se a nova onda de concessões aos caminhoneiros terá sucesso em debelar a greve que paralisa o país há uma semana. Mas uma coisa é certa: a conta já sobrou para nós, que pagamos impostos. O governo Michel Temer acaba de criar o Bolsa Diesel.

Cortou dois impostos, Cide e PIS/Cofins, para reduzir o preço do combustível em R$ 0,46 por litro, algo como 12%, pelos próximos 60 dias. A Cide, correspondente a R$ 0,05 por litro, já havia sido zerada na semana passada na primeira proposta do governo – provocando perda de R$ 2,5 bilhões na arrecadação. O presidente Michel Temer anunciou ontem redução no PIS/Cofins de R$ 0,46 para R$ 0,35 por litro.

O impacto fiscal das medidas anunciadas ontem será de R$ 13,5 bilhões. Com os impostos, a perda será de R$ 4 bilhões, compensados, segundo o governo, pelo projeto que prevê a reoneração da folha de pagamento de 28 setores, aprovado pela Câmara, em tramitação no Senado.

Fora isso, o Tesouro oferecerá um subsídio de R$ 9,5 bilhões à Petrobras e a outros fornecedores, para evitar que sofram perdas com a flutuação do preço do petróleo no mercado internacional. De onde virá o dinheiro? O Ministério da Fazenda fala em corte de gastos de R$ 3,8 bilhões e “reserva” de R$ 5,7 bilhões.

Os R$ 9,5 bilhões certamente terão impacto no déficit primário deste ano, estimado em R$ 159 bilhões. Correspondem a um terço do que o governo gasta com o Bolsa Família. Eis aí o tamanho do Bolsa Diesel.

Mais um setor da economia obteve benesses do Estado, graças à inépcia do governo para lidar com o ônus que a variação abrupta dos preços do petróleo impõe aos setor de transportes, à incompetência para negociar antes da greve e, sobretudo, à chantagem dos caminhoneiros e transportadoras, que manteve o país refém nos últimos dias.

 

Do ponto de vista econômico, o resultado era previsível. Nada muito diferente do que tem ocorrido ao longo da história brasileira. Grupos organizados e articulados politicamente obtêm o que querem, enquanto a maioria silenciosa paga o pato.

 

 

Fonte: G1

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