16 de Dezembro de 2018

Entenda o escândalo do uso de dados do Facebook

Seu tempo perdido no Facebook pode ter ajudado a eleger Donald Trump presidente dos Estados Unidos e a fazer o Reino Unido decidir pular fora da União Europeia.

 

Seu tempo perdido no Facebook pode ter ajudado a eleger Donald Trump presidente dos Estados Unidos e a fazer o Reino Unido decidir pular fora da União Europeia.

Quando você curte fotos de gatinhos, por mais fofos que eles sejam, ou faz testes para ver como ficaria seu rosto na capa de uma revista de celebridades, seus dados podem acabar numa espécie de mercado negro na rede mundial.
 
Há mais de uma década, o Facebook permite que aplicativos tenham acesso aos perfis de seus usuários. E o jeito mais indolor—e irresistível—  de se apoderarem de um arsenal imenso de dados demográficos toma a forma desses testes meio bobos e inúteis.
 
Só agora, no rastro do maior escândalo da história da rede social, a ficha parece estar caindo --suas curtidas, comentários, fotos, textões e afins podem ser desviados para manipular democracias.
 
Mas o episódio envolvendo a Cambridge Analytica acaba de revelar o perigo real do tráfico desses dados em redes sociais. E também a opacidade dessas plataformas que prometiam criar um planeta mais transparente.
 
De posse de dados como curtidas e redes de amigos, essa firma com sede em Londres conseguiu montar perfis de eleitores em potencial, que então eram bombardeados com mensagens políticas.
 
Tudo começou em junho de 2014, quando o professor Aleksandr Kogan, da Universidade Cambridge, no Reino Unido, criou um teste de personalidade no Facebook com o pretexto de conduzir um estudo psicológico de usuários.
 
Mesmo que só 270 mil pessoas tenham feito o teste de Kogan, o sistema permitiu que sua equipe visse o perfil de 50 milhões de usuários, pois também captava as informações de todos os amigos delas.
 
No ano seguinte, Kogan repassou essa informação à Cambridge Analytica, que então contratou outros especialistas, entre eles Christopher Wylie, que acabou revelando o esquema ao jornal britânico The Observer (a versão dominical do Guardian) para influenciar a eleição dos EUA.
 
Isso, aliás, é o pivô da discórdia. O Facebook diz que não houve vazamento de dados de usuários, já que sempre permitiu o acesso de pesquisadores. Na visão da rede social, o problema aconteceu fora de seus domínios, quando dados foram repassados.
Vazadas ou não, a questão é que as informações acabaram nas mãos de agentes com intenções nada acadêmicas.
 
O Facebook disse que descobriu o esquema em 2015 e então removeu o aplicativo de Kogan, exigindo também que a Cambridge Analytica apagasse os dados desviados.
 
Diante das revelações de que as informações não foram apagadas e ajudaram a influenciar as eleições, a rede então bloqueou as contas de todos ligados à consultoria na plataforma, mas o estrago já estava feito.
 
 
O que o Facebook  teria feito de errado?

Não protegeu a privacidade na sua rede social, permitindo que os usuários usassem um app sem conhecimento da dimensão do acesso dessa ferramenta à sua base de dados e como os dados seriam utilizados, prática que quebra um acordo feito em 2011 com a FTC, a Comissão Federal do Comércio dos EUA
Que acordo é esse?

Em 2009, o Facebook foi acusado por diversas organizações de defesa do consumidor de violar dados dos usuários. Para escapar da punição, firmou compromissos com o órgão
 
Quais compromissos foram esses?

Implementar um programa de privacidade para garantir a confidencialidade das informações; ser mais franco e honesto com os usuários sobre como os dados são utilizados; não compartilhar com terceiros informações dos usuários. O fato de a Cambridge Analytica ter tido acesso a informações de 50 milhões de pessoas, por meio de um app, indica que o Facebook não seguiu nenhum desses compromissos
 
Mas quais foram as consequências por ele não cumprir os compromissos?

Os dados foram comercializados por terceiros para fins políticos com o desconhecimento dos usuários. O aplicativo fazia perguntas pessoais, como quão extrovertida ou vingativa uma pessoa podia ser, se ela termina projetos, se gosta de arte. Um algoritmo buscava encontrar vínculos entre "amabilidade", ou "neurose", e gênero, idade, religião, hobbies, viagens, pontos de vista políticos específicos e uma série de outras variáveis. A partir dessas informações, que levantavam a personalidade de cada pessoa, eram enviadas mensagens, notícias e imagens pelo Facebook que atingissem pontos sensíveis de eleitores e os influenciassem a votar em Trump
 
Existem punições previstas?

Pode ter de pagar multas de até US$ 40 mil (mais de R$ 130 mil) por usuário afetado, o que daria um total de US$ 2 trilhões, cerca de quatro vezes o valor de mercado do Facebook.

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